SBP defende ações estratégicas para reduzir mortalidade infantil

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicou nota pública em que pede o empenho das autoridades sanitárias no enfrentamento das reais causas para o aumento na taxa de mortalidade infantil do Brasil. Pela primeira vez desde 1990, o indicador voltou a subir, atingindo 14 óbitos infantis a cada mil nascimentos, o que representa um aumento de quase 5% sobre o ano anterior, retomando índices similares aos dos anos 2013 e 2014.

“A confirmação desse número aponta o encerramento um ciclo positivo de quase três décadas. A SBP tem se manifestado firmemente junto ao Ministério da Saúde e outros órgãos do Governo cobrando providências para melhorar a qualidade da assistência para crianças e adolescentes”, destacou a presidente da SBP, dra. Luciana Rodrigues Silva.

Na avaliação da SBP, a epidemia de zika vírus e os efeitos da crise econômica no País sobre a população, apesar de pertinentes não, podem ser considerados como os únicos responsáveis pela alta desse indicador. “Não se pode ignorar fatores como a baixa cobertura vacinal e o risco de ocorrências de doenças infectocontagiosas (sarampo, meningite, tuberculose, sífilis congênita, dentre outros)”, diz a nota da Sociedade.

As contribuições dos pediatras brasileiros para este e outros debates relacionados à saúde das crianças e adolescentes estão sendo reunidas em um documento que será entregue às autoridades federais e aos candidatos as Eleições Gerais de 2018, nos próximos dias. As propostas incluem ampliação da oferta de leitos, a melhoria da infraestrutura de trabalho e a valorização do papel do especialista no atendimento.

LEIA A NOTA NA ÍNTEGRA:

NOTA AOS BRASILEIROS

É preciso juntar forças contra a mortalidade infantil.

É extremamente grave e preocupante o anúncio feito pelo Ministério da Saúde de aumento na

taxa de mortalidade infantil no Brasil, o que interrompe um ciclo de queda contínua desse indicador que já durava 26 anos. Na avaliação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a epidemia de zika vírus e os efeitos da crise econômica no País sobre a população não podem ser considerados como os únicos responsáveis pela alta desse indicador. Para tanto, devem ser

empreendidos esforços das autoridades sanitária, para entender as causas reais dessa tendência e adotar ações estratégicas para revertê-la.

A SBP tem continuamente alertado o Governo e os gestores dos Sistema Único de Saúde (SUS)

acerca dos inúmeros problemas que, certamente, podem ter influência do o aumento desse

número. Dentre eles, se destacam a falta de recursos e de infraestrutura para funcionamento da rede pública de assistência; a desvalorização dos profissionais que prestam cuidados (médicos e demais membros das equipes); o desmonte das equipes especializadas no atendimento de crianças, sobretudo nas salas de parto e nos primeiros anos de vida; e a dificuldade de acesso dos pacientes aos serviços de saúde (consultas, exames, internações e cirurgias).

Na avaliação de futuros cenários, também não se pode ignorar fatores como a baixa cobertura

vacinal e o risco do aumento da incidência de doenças infectocontagiosas (sarampo, meningite, tuberculose, sífilis congênita, dentre outros). O País está diante

de um quadro multifatorial, que atinge a parcela mais frágil e vulnerável das famílias,

cuja superação depende de um esforço conjunto de Governo, médicos, profissionais da saúde, organizações da sociedade organizada e cidadãos.

Como contribuição para o debate que deve ser imediatamente inaugurado, a SBP prepara um

documento com propostas a serem implementadas pelo Governo – atuais e futuros.  O texto, que será entregue às autoridades federais e aos candidatos as Eleições Gerais de 2018,

aponta, entre outros pontos, a necessidade urgente de que toda criança e sua família conte com o suporte de um pediatra no pré-natal, na sala de parto e no acompanhamento que se estende do nascimento ao fim da adolescência.

Entende-se que o cumprimento dos pontos inseridos nesta pauta é indispensável ao País para que a construção de uma Nação mais justa, ética e saudável, com pleno atendimento das necessidades das futuras gerações a partir de agora.

 

Rio de Janeiro (RJ), 16 de julho de 2018.

SOCIEDADE BRASILEIRA DE PEDIATRIA

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